quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Dá vontade e enfiar a porrada.

Demorei um tempo para voltar a escrever aqui. O fato aqui descrito aconteceu na semana do natal. tomei um ônibus com mais um tanto de pessoas que esperavam junto comigo no ponto, voltando do shopping depois de compras atrasadas de natal, dentre estes tantos subiu um grupo de 3 ou quatro meninos entre 15 e 19 anos. Eram Gays, e falavam em alto e bom som algumas coisas que tinham acontecido com eles durante a semana, assim como faziam quase todos os outros passageiros que ali estavam. Obviamente o grupo chamou mais atenção que os demais e talvez fosse isso que eles quisessem mesmo, até ainenhum problema.

Em um ponto próximo a minha casa eles desceram e um grupo de homens mais velhos que no fundo estavam até então calados, começaram a falar em tom mais alto que os meninos. Primeiro ouvi a frase titulo deste texto “ Dá vontade de enfiar a porrada”, olhei para trás querendo saber em quem iriam bater no ônibus e me preparando para me jogar pela janela em caso de perigo, outro continuou “ Moleque novinho cheio de viadagem”, o mesmo da porrada concluiu “Se é meu filho eu mato, imagina criar um filho para ficar andando cheio de viadagem. Se fosse meu filho daria um tiro de '12' no meio da testa”. Obvio, fiquei estarrecido com as declarações e logo depois tive que descer. Ao andar no curto caminho para minha casa fiquei pensando. Porque “ Dá vontade de enfiar a porrada” em tudo que é diferente do que agente pensa? Muitas vezes essa é a mesma pessoa que luta contra a violência policial na comunidade onde mora, na violência urbana, na violência contra o seu filho e não se dá conta que a violência começa como pensamento para que só depois venha a ser uma ação.

Não tenho pensamentos de mudar o mundo. Mas não existe nada mais importante que a reflexão. Até quando vamos transformar o semelhante em vitimas da nossa própria violência? Até quando Pais como esse senhor vão se achar no direito de matar o diferente ainda que esse seja seu filho? Quando iremos a prender a canalizar essa mesma energia de indignação para questões que realmente são de indignar?

Obvio que existem muitas coisas envolvidas e não daria nem seria interessante de abordar nesse texto. O que fica é a reflexão. Toda vez que pensarmos em violência, que reservemos um pouco desse tempo para refletirmos sobre o nosso próprio desejo de violência porque tem muito ódio fantasiado de bom ato. E pensarmos muito bem sobre que tipo de sociedade agente deseja toda vez que acreditarmos que “enfiando a porrada” vamos resolver alguma questão.

2 comentários:

Juliana Canavezes disse...

Faço minhas as suas palavras...
Belíssima a sua crítica!
Também fico indignada com a recusa a tudo o que é diferente. Pessoas de mente fechada e superficiais.
Enfim, somos Psi, fazer o que né?
kkkkkk...Beijos.

Sr. C O U T O disse...

eu ri com o titulo AHUAHUhau