quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Deixa eu dançar...

Vamos balançando como onda, como peixe, como cobra, vai em frente como se exaustivamente ensaiados fossem os passos, dando o tom da musicalidade e da arte de estar vivo.
Deixem aquele menino dançar com as mãos sobre a cabeça, barriga para cima e pernas para o ar. Pelo amor de deus (seja ele qual for o seu) deixe o menino rodar, pular carniça, comer amêndoa, cocada, pé de moleque. Deixe o menino rodar, fingir que é sapo( que é gente) rir de tudo isso que não presta.
Agora é moda treinar menino para ser infeliz. Faz curso desde moleque para aprender como sofrer quando for grande. Querem o sucesso do moleque baseado no não sucesso do moleque que fica dentro de quem é grande querendo brincar. Esconde-se Curumim dentro de caixas de aço para que se possa demonstrar toda força que não se tem.
Todos muito intelectuais por trás dos seus dedos em ristes, das suas teorias fundamentadas e tudo que existe de mais chato, assinados e aplaudidos por todos aqueles que choram o desejo de liberdade.

Caetano um dia pediu em versos musicados:

“Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara“


Eu faço coro e peço: Para tudo ficar Odara, libertem omodé, Curumim moleque. Para que ele possa dançar (com passos qualquer) e trazer a tona a força mais bruta e viva que existe em nós. A força de criança.

Um comentário:

Adelita Portella disse...

Deixa o moleque jogar, pra ser feliz!