quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Deixa eu dançar...

Vamos balançando como onda, como peixe, como cobra, vai em frente como se exaustivamente ensaiados fossem os passos, dando o tom da musicalidade e da arte de estar vivo.
Deixem aquele menino dançar com as mãos sobre a cabeça, barriga para cima e pernas para o ar. Pelo amor de deus (seja ele qual for o seu) deixe o menino rodar, pular carniça, comer amêndoa, cocada, pé de moleque. Deixe o menino rodar, fingir que é sapo( que é gente) rir de tudo isso que não presta.
Agora é moda treinar menino para ser infeliz. Faz curso desde moleque para aprender como sofrer quando for grande. Querem o sucesso do moleque baseado no não sucesso do moleque que fica dentro de quem é grande querendo brincar. Esconde-se Curumim dentro de caixas de aço para que se possa demonstrar toda força que não se tem.
Todos muito intelectuais por trás dos seus dedos em ristes, das suas teorias fundamentadas e tudo que existe de mais chato, assinados e aplaudidos por todos aqueles que choram o desejo de liberdade.

Caetano um dia pediu em versos musicados:

“Deixa eu dançar pro meu corpo ficar odara
Minha cara minha cuca ficar odara
Deixa eu cantar que é pro mundo ficar odara
Pra ficar tudo jóia rara
Qualquer coisa que se sonhara
Canto e danço que dara“


Eu faço coro e peço: Para tudo ficar Odara, libertem omodé, Curumim moleque. Para que ele possa dançar (com passos qualquer) e trazer a tona a força mais bruta e viva que existe em nós. A força de criança.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A puta (é) e a santa.

Toda puta sabe de cor a oração. Toda puta é uma santa ao contrario. E ser contrario não é ser outra coisa senão a coisa mesma de outra forma.
Não existe 2 tipos de pessoas (as putas, safadas, malandras e as santas). Existem só as que são tudo. As que são todas as coisas. Tem quem estuda e quem é da boemia. Tem quem rouba e quem compra. Tem quem vive e quem morre a cada dia. A sabedoria não vem encaixotada. Não existe partição, nem muro, nem lado, nem time. O que existe é um festival de coisas muitas que de tão diferentes são homogêneas.
Toda puta é santa que esqueceu de rezar.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O encontro com o Diabo.

O demônio é uma das figuras que mais assombram o imaginário popular. Lobisomens, mulas sem cabeça e velhos do saco costumam colocar medo apenas nas criancinhas. Mas o mal, o inimigo de Deus é uma figura que assombra a qualquer ser vivente e para isso não precisa acreditar em divindade.
O Mito do oposto do Divino trás a mente a reflexão sobre a inexistente perfeição. O demônio Judaico cristão é lúcifer, anjo bonito e inteligente que foi jogado no abismo por querer a perfeição divina para si.
Quantas e quantas vezes nós na busca de uma falsa perfeição somos jogados para o abismo, por não ser possível alcançarmos essa perfeição divina, do que só é bom, só pensa no bem, só ama.
Volta e meia nos deparamos com situações onde falamos: “mas como pode fazer isso? Ele é uma pessoa tão boa. Parecia estar tomado por alguma outra força” E de fato é. É a força que muitas vezes nós empurramos para o abismo na tentativa de que ela nunca surja e no mínimo descuido das nossas sentinelas da perfeição ela retorna com toda força, sendo muito mais perigosa do que se permitíssemos que ela circulasse normalmente junto com as outras forças.
Por fim se soubermos dialogar com as forças que nós no auto da nossa ingenuidade denominamos de demoníacas e direcionarmos para que elas se manifestem da forma mais adequada possível não precisamos nos assustar com o desconhecido. Para uma vida saudável é importante que anjos e demônios convivam em harmonia.

domingo, 23 de maio de 2010

Para falar de {in}tolerância

Tolerância foi a palavra que pulou sob minha face durante essa semana. Todo dia fui colocado junto ao tema. Vivendo pessoalmente, na Internet, noticias, ouvindo conversa alheia no transporte coletivo. Mais uma vez a vida me mandando recado para que eu pudesse refletir sobre algo importante.
Segundo Locke Tolerância é parar de combater o que não se pode mudar. Conceito muito importante. E não difundido pela maioria. As pessoas perderam a noção do que é tolerar e refletir e começaram a querer convencer o outro de que a sua opinião é a mais valida e a mais correta. E qualquer uma outra opinião é imbecil.
O ultimo fato que me fez pensar sobre isso. Foi um vídeo em que humoristas do programa “pânico na TV” foram agredidos (verbalmente e com água) por um grupo (aparentemente político) que participava da “marcha contra homofobia” em Brasília. Algumas dessas pessoas argumentaram de que aquele era um evento sério e por isso não cabia ali um grupo de humoristas. Pois bem. Humor nunca foi o contrario de seriedade e sim de “mal humor”. Existe no mundo e principalmente no Brasil uma normose de se acreditar que coisas sérias não podem ser leves, engraçadas e prazerosas e que tudo deve ser conquistado na base da luta com punhos cerrados. Pensamento atrasado.
Homofobia é assunto serio sim( apesar da banalização do termo). É uma questão de direitos humanos. E deve ser tratada com toda seriedade possível. E seriedade é algo que vem da alma e nada tem a ver com a forma em que ela aparece.
O Programa como todo programa de humor exagera até porque é no exagero que se encontra a piada e muitas vezes se perdem chegando a ser grosseiros.
O grupo que luta contra a homofobia na sua maioria composto por homossexuais não quer ser piada. E não são uma piada (como muitas vezes se é entendido) são pessoas comuns lutando comumente pelos direitos humanos. Muito justo. Mas perderam a oportunidade de levemente mostrar isso ainda que para um programa de humor( Aqueles que participaram da agressão).
Se por algum motivo isto ainda é visto como piada é importante que se mostre também quando o homossexual não é engraçado, quando ele é cidadão comum. O Humor fala exatamente desses homossexuais que são engraçados ou de questões engraçadas desse grupo, como serve para colocar uma lente de aumento em tudo que é engraçado em todos os grupos e situações. Percebo que quando não se é engraçado junto com a graça desaparece a questão da expressão sexual ( Escrevo depois sobre isso). Ninguém fala por exemplo de Renato Russo em piada e fala-se pouco de sua homossexualdiade.
O chiste é um recurso usado quando queremos falar algo sério mas dizemos em tom de brincadeira para que não seja entendido de forma ofensiva por quem ouve. E na brincadeira, na leveza do humor saudável muitas questões interessantes podem ser levadas para discussão pública. O que não é visto pode passar a ser visto. Os excessos podem ser cortados e o discurso e o dialogo podem correr livremente.
Como sempre só mais uma opinião que pode somar-se com outras em tom de debate sem problemas. E essa não é uma postagem de defesa de ninguém apenas exposição de idéias. Ninguém é obrigado a gostar de nada e cada um tem sua opinião sobre programas de TV.
E fica como reflexão, fogo nunca poderá sera apagado com fogo, água nunca irá conter água e intolerância a formas de visão diferentes das nossas nunca irão frear a intolerância quanto aos nossos pensamentos.

domingo, 9 de maio de 2010

Música, pintura,poésia, viver e outras formas de arte

Música, pintura, dança, teatro, poesia. Arte. Faz-se do coisa alguma alguma coisa. O que antes eram palavras, tinta pincel, idéia, imagem. Agora é uma coisa só. Encantador é esse poder transformador que encontramos no profundo do homem.

Quando vejo a expressão artística tenho adoração, porque sei que ali encontra-se a manifestação do divino. O Poder divino do humano que pode criar qualquer coisa. Imagine: Existia o nada de repente faz-se alguma coisa. Assim começou o mundo. Assim surgiu a vida.

Licença poética é a licença que o poeta ou qualquer artista tem de passar por cima das regras para poder expressar sua arte.
Porque não fazer da vida como fazemos com a arte? ( porque nada mais que arte a vida é)Porque não viver com eterna licença poética?
É tão saudável pedir licença as regras e fazer da vida a sua poesia. Questionar os valores vigentes e simplesmente viver dentro da ética com você e com os outros.O interessante seria mutar-se em poesia e viver eternamente em licença poética.

Busque a sua sintonia, o seu som, a sua batida, a sua melodia. As regras cultas são deles não cabem de completo para você. Só nós podemos ser os autores da nossa poesia de vida.
É essa é a única forma de viver honestamente. Qualquer uma outra forma é desonesta e insalubre. Só existe o bem viver quando ele é pintura de nossa autoria.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Nadando contra a corrente; Quando não dormir é quase acordar.

“Todo dia a insônia me convence que o céu faz tudo ficar infinito e a solidão é pretensão de quem fica escondido fazendo fita”.
Não sei o motivo ocasionador das insônias do autor da canção “Pro o dia nascer feliz” com a qual abro esse texto Cazuza. Pela Biografia do cantor provavelmente não eram os mesmos fantasmas que assombram as minhas noites. Cidadão pacato que sou e nem um pouco rebelde e brilhante quanto Cajú.

A insônia tem sido tratada como doença. E como toda doença tem um remédio que cure, cada dia mais e mais pessoas se entopem de calmantes e soníferos para se “desligarem” como se robôs fossem. Trabalho, estudo, família, um dia inteiro na rua e ao chegar em casa um comprimido um copo de água e pronto temos um problema resolvido. Aquele que não dormiria agora dorme para poder fazer tudo aquilo que tem por obrigação no outro dia fazer.
Toda vez que comento sobre a minha ansiedade e a minha insônia recebo toda sorte de conselhos. Desde “deita e espera o sono chegar” Até “Procure um remédio”. E no imaginário das pessoas “ Como um futuro profissional de psicologia é ansioso e tem insônias?” Acredito que a insônia, assim como alguns outros sintomas nem sempre podem ser lidos como uma doença ou um problema a ser resolvido. É só a ponta de algo mais profundo e isso sim precisa ser resolvido e leva tempo. Tempo esse que temos pouco. No outro dia preciso acordar e fazer mil coisas 90% delas que eu não gostaria de estar fazendo.

A minha insônia pelo menos sempre tem um conteúdo expressivo. Algo que preciso tomar ciência e não consigo sabe-se lá por qual motivo. Tanto que assim que isso me vem a consciência os sintomas de ansiedade passam e eu relaxo e durmo. Como se nada anterior a isto tivesse acontecido. Logo a minha insônia na grande maioria das vezes não é um problema mas o início da soluçãoe. Imagine se eu tivesse tomado um remédio. Provavelmente estaria acordando dopado não tendo dormido bem e não estaria de madrugada escrevendo esse texto sobre algo tão importante a ser discutido no dia de hoje.Quanto tempo temos para resolver as nossas próprias questões.

Só espero encarecidamente que minhas expressões procurem outras formas de me dar ciência delas, se eu pudesse opinar, preferia que elas viessem em sonhos. Porque eu estaria dormindo e relaxado enquanto me conscientizava das questões. Unia o útil ao agradável.

Cada um escolhe o que fazer com o que lhe incomoda não pretendo ditar regras ou falar mal de medicamentos é apenas uma reflexão. Como Cazuza estou sempre “Nadando contra a corrente. Só pra exercitar”. Grande exercício esse de pensar.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Algo sobre a água; ou qualquer uma dessas outraS coisas

A água flui pelo rio avante e sempre. O fluxo pode sofrer variações, porém não é possível impedi-la de seguir o caminho que tem por obrigação percorrer. A partir do momento que nasce não existe escolha: Ela é água e essa é sua natureza. Pedra de gelo, nuvem no céu, no mar, escorrendo pelo rosto. Mata de sede, mata na enchente, mata no mar, mata a sede, diverte na praia. Estado ou ações a parte Água é sempre água.

A Vida humana também é assim. Começa sem pedir, vive a sem saber o porque e termina por algum motivo qualquer que não justifica o ínicio. E assim vamos caminhando por ela procurando trazer algum tipo qualquer de significação. Nunca saberemos o que nos espera pela frente e isso é causador de ansiedade. Nunca saberemos como poderia estar sendo nosso curso se tivéssemos tomado outro rumo anteriormente. Isso nos traz angustia e culpa. Só sabemos de onde estamos neste exato momento só é possível viver o hoje. "Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal". (Mateus 6:34 )

Na tentativa de afastar-se dos sentimentos que o “não saber” trás, muitas pessoas “agarram-se” em qualquer obstáculo no meio do caminho como se parando no espaço fossemos capazes de parar a fluidez da vida quando com isso o maximo que se consegue é que a vida passe sem você.

Por fim não existem alternativas. Ou vive-se a vida ou deixamos ela passar fingindo que não temos responsabilidade pelo seu curso. Respeitar e seguir a correnteza da vida de forma tranqüila é o que há de mais saudável a ser feito. Como canta Caetano em Alegria alegria “Eu quero seguir vivendo Amor. Eu vou. Por que não? Por que não?